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sábado, 30 de junho de 2018

Direito de todos


Homens transexuais buscam visibilidade para novas gerações 

Publicado em 28/06/2018 - 07:02

Por Vinícius Lisboa - Repórter da Agência Brasil  Rio de Janeiro





Ainda pequeno, quando fazia catequese, Patrick Lima repetia secretamente uma oração antes de dormir: pedia para acordar no corpo de um menino. Naquela época, seus pais, professores e toda a sociedade ainda o chamavam pelo nome feminino com que foi batizado. Com o passar dos anos, na adolescência, ele teve acesso a ícones transexuais como Roberta Close e Rogéria, mas todas eram mulheres. Existir como homem trans, lembra ele, estava fora das possibilidades a que tinha acesso.

"Me descobri com 17 anos. Eu sabia que existia a mulher trans, mas eu nunca tinha visto em lugar nenhum um homem trans", conta ele, hoje com 27 anos. A descoberta veio com um personagem trans no seriado norte-americano The L Word. "Quando vi, eu pensei: 'Eu também sou'".

Com uma luta política historicamente menos evidente que de outros grupos que celebram hoje (28) o Dia do Orgulho LGBT, os homens transexuais vivem um "boom" atualmente, acredita Patrick. Ele cita canais no YouTube, personagens em novelas e o reconhecimento de figuras históricas como João Nery, transhomem considerado pioneiro no Brasil.

Para Patrick Lima, em termos políticos, os transexuais ainda têm um longo caminho a percorrer - Tomaz Silva/Agência Brasil

"A gente tem um movimento de travestis e transexuais que tem 40, 50 anos. E a gente está no boom agora", diz ele, que ainda vê pouca mobilização política para enfrentar a invisibilidade. "Politicamente, a gente tem um caminho muito grande a seguir."

Morador de Vista Alegre, na zona norte do Rio de Janeiro, Patrick é operador de câmbio, mas se formou em jornalismo. A própria escolha da graduação foi um plano B, porque seu sonho era seguir a educação física para continuar no mundo da natação. Ele conta que praticou o esporte dos 3 aos 18 anos, mas a consciência de sua identidade de gênero foi tornando o maiô cada vez mais desconfortável. "Vi que não ia aguentar."

O meio jornalístico, porém, não facilitou em nada. Se na faculdade as chamadas e provas ainda exigiam o nome feminino, na busca por estágios, os documentos ainda inadequados ao seu gênero e o preconceito sabotavam suas oportunidades. "Já ouvi: 'tudo bem, você é qualificado, mas em que banheiro a gente vai colocar você?' A gente nunca é avaliado pelo potencial. Sempre pensam onde vão nos colocar para não ter nenhum tipo de problema", conta ele, que viu as portas se fecharem por não ter conseguido experiência durante a faculdade. "Meu primeiro trabalho, com o diploma debaixo do braço, foi lavar copo."

Se para quem está iniciando a preparação para uma carreira o caminho é difícil, para quem já está estabelecido a discriminação também traz riscos. Leonardo Peçanha, de 36 anos, é ativista, especialista em gênero e professor de educação física. Ele conta que o impacto da transfobia pode fazer a pessoa trans perder não somente o emprego, mas a carreira.

"Quando as pessoas trans que já tinham uma trajetória profissional perdem emprego, não é só no sentido de mandar embora. Elas perdem toda a carreira, porque todo mundo fica sabendo. Isso se espalha pelo meio profissional da pessoa, e ela fica desamparada."

Um exemplo disso é a história de vida do próprio João Nery. Depois que ele se submeteu às cirurgias de redesignação sexual, ainda na década de 1970, seu diploma de psicólogo foi cassado, e ele perdeu sua forma de subsistência. 

Para Leonardo, a família pode fazer a diferença quando o mundo vira as costas para os homens trans. "Quando a família acolhe, é completamente diferente a vida da pessoa trans, porque ela não fica sozinha. As coisas se tornam menos difíceis, porque, quando acontecer algum caso de transfobia, você vai ter quem te acolher", diz.

Acesso à saúde

Entre os obstáculos que os homens trans encontram em seu percurso, o acesso à saúde continua a ser um dos mais dramáticos. A necessidade de frequentar um ginecologista, a menor qualificação dos médicos para os procedimentos cirúrgicos e o acesso à terapia hormonal com acompanhamento profissional podem se tornar barreiras até quando se dispõe de um plano de saúde. Patrick lembra que a família o ajudou a pagar um plano na época em que nenhuma empresa o contratava.

"A saúde está marcada pelas questões de gênero", diz Leonardo Peçanha - Tomaz Silva/Agência Brasil

"A partir do plano, foi uma saga para conseguir um médico, porque a maioria diz 'eu não entendo', 'eu não faço', 'não concordo', 'minha religião não permite'. Ainda tem isso, você está pagando e ainda tem que ouvir uma coisa dessa."

Leonardo concorda e conta que muitas vezes os endocrinologistas se recusam mesmo sabendo que os hormônios são semelhantes aos usados em tratamentos comuns de reposição hormonal. Na sala de espera do ginecologista, os constrangimentos são muitos e as consultas, muitas vezes, terminam em negativas de atendimento. "A saúde ainda é binária e está marcada pelas questões de gênero." 

Integrante do do Núcleo de Defesa dos Direitos Homoafetivos e Diversidade Sexual (Nudiversis-RJ) da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, a defensora pública Letícia Furtado conta que as demandas de homens trans que chegam até o órgão estão ligadas principalmente a serviços de saúde. As dificuldades são ainda maiores que as encontradas pelas mulheres trans, conta a defensora, que exemplifica que a transgenitalização (correção do órgão genital), no caso deles, ainda é considerada um procedimento cirúrgico experimental por muitos profissionais. Para as cirurgias complementares, como a mastectomia, os obstáculos partem de planos de saúde ou unidades públicas que consideram o procedimento estético.

"Para um homem trans, [a mastectomia] muitas vezes é fundamental e muitos relatam que é o que faz a grande diferença na vida deles, que é o momento que mexe com a masculinidade deles. Mas, como ainda consideram apenas uma cirurgia plástica, esse é um enfrentamento que estamos fazendo."

Para o pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (ENSP/Fiocruz), Luiz Montenegro, a decisão recente da Organização Mundial da Saúde (OMS) de retirar a transexualidade da lista de doenças mentais e incluí-la como incongruência de gênero nas questões de saúde sexual pode colaborar com um cenário de serviços mais acessíveis e profissionais mais sensíveis.

"Havia uma patologização do que é uma condição humana, e que não tem nada a ver com doença", argumenta. "A gente espera que os profissionais de saúde se sensibilizem. É necessário ter mais ambulatórios para pessoas trans ou que tenhamos profissionais de saúde engajados no cuidado das pessoas da maneira mais ampla possível?", questiona.

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Edição: Juliana Andrade


segunda-feira, 18 de junho de 2018

Não são fósseis


Petróleo e gás natural podem não ser fósseis

Agostinho Rosa -  03/08/2009








Teorias famosas

O Universo originou-se de uma descomunal explosão, conhecida como Big Bang. O petróleo e o gás natural são combustíveis fósseis. Estas são provavelmente as duas teorias científicas mais disseminadas, de maior conhecimento do público e algumas das que alcançaram maior sucesso em toda a história da ciência.

Elas são tão populares que é fácil esquecer que são exatamente isto - teorias científicas, e não descrições de fatos testemunhados pela história. Mesmo porque as duas oferecem explicações para eventos que se sucederam muito antes do surgimento do homem na Terra.

Teoria dos combustíveis fósseis

Segundo a teoria dos combustíveis fósseis, que é a mais aceita atualmente sobre a origem do petróleo e do gás natural, organismos vivos morreram, foram enterrados, comprimidos e aquecidos sob pesadas camadas de sedimentos na crosta terrestre, onde sofreram transformações químicas até originar o petróleo e o gás natural.

É com base nesta teoria que chamamos as principais fontes de energia do mundo moderno de "combustíveis fósseis" - porque seriam resultado de restos modificados de seres vivos.

Teoria do petróleo abiótico

Muito menos disseminado é o fato de que esta não é a única teoria para explicar o surgimento do petróleo. Na verdade, esta teoria hegemônica vem sendo cada vez mais questionada por um grande número de cientistas, que defendem que o petróleo tem uma origem abiótica, ou abiogênica - sem relação com formas de vida.

Os defensores da teoria abiótica do petróleo têm inúmeros argumentos. Por exemplo, a inexistência de fenômenos geológicos que possam explicar o soterramento de grandes massas vivas, como florestas, que deveriam ser cobertas antes que tivessem tempo de se decompor totalmente ao ar livre, juntamente com a inconsistência das hipóteses de uma deposição do carbono livre na atmosfera no período jovem da Terra, quando suas temperaturas seriam muito altas.

A deposição lenta, como registrada por todos os fósseis, não parece se aplicar, uma vez que as camadas geológicas apresentam variações muito claras, o que permite sua datação com bastante precisão. Já os depósitos petrolíferos praticamente não apresentam alterações químicas variáveis com a profundidade, tendo virtualmente a mesma assinatura biológica em toda a sua extensão.

Além disso, os organismos vivos têm mais de 90% de água e mesmo que a totalidade de sua massa sólida fosse convertida em petróleo não haveria como explicar a quantidade de petróleo que já foi extraída até hoje.

Outros fenômenos geológicos, para explicar uma eventual deposição quase "instantânea," deveriam ocorrer de forma disseminada - para explicar a grande distribuição das reservas petrolíferas ao longo do planeta - e em grande intensidade - suficiente para explicar os gigantescos volumes de petróleo já localizados e extraídos.

Carbono do interior da Terra

Por essas e por outras razões, vários pesquisadores afirmam que nem petróleo, nem gás natural e nem mesmo o carvão, são combustíveis fósseis. Para isso, afirmam eles, o ciclo do carbono na Terra deveria ser um ciclo fechado, restrito à crosta superficial do planeta, sem nenhuma troca com o interior da Terra. E não há razões para se acreditar em tal hipótese.

Na verdade, aí está, segundo a teoria dos combustíveis abióticos, a origem do petróleo, do gás natural e do carvão: eles se originam do carbono que é "bombeado" continuamente pelas altíssimas pressões do interior da Terra em direção à superfície.

É possível sintetizar hidrocarbonetos a partir de matéria orgânica, e estes experimentos foram, por muitos anos, o principal sustentáculo da teoria dos combustíveis fósseis.

Mas agora, pela primeira vez, um grupo de cientistas conseguiu demonstrar experimentalmente a síntese do etano e de outros hidrocarbonetos pesados em condições não-biológicas. O experimento reproduz as condições de pressão e temperatura existentes no manto superior, a camada da Terra abaixo da crosta.

Metano e etano abióticos

A pesquisa foi feita por cientistas do Laboratório de Geofísica da Instituição Carnegie, nos Estados Unidos, em conjunto com colegas da Suécia e da Rússia, onde a teoria do petróleo abiótico surgiu e tem muito mais aceitação acadêmica do que em outras partes do mundo.

O metano (CH4) é o principal constituinte do gás natural, enquanto o etano (C2H6) é usado como matéria-prima petroquímica. Esses dois hidrocarbonetos, juntamente com outros associados aos combustíveis de origem geológica, são chamados de hidrocarbonetos saturados porque eles têm ligações únicas e simples, saturadas com hidrogênio.

Utilizando uma célula de pressão, conhecida como bigorna de diamante, e uma fonte de calor a laser, os cientistas começaram o experimento submetendo o metano a pressões mais de 20 mil vezes maiores do que a pressão atmosférica ao nível do mar, e a temperaturas variando de 700° C a mais de 1.200° C. Estas condições de temperatura e pressão reproduzem as condições ambientais encontradas no manto superior da Terra, entre 65 e 150 quilômetros de profundidade.

No interior da célula de pressão, o metano reagiu e formou etano, propano, butano, hidrogênio molecular e grafite. Os cientistas então submeteram o etano às mesmas condições e o resultado foi a formação de metano. Ou seja, as reações são reversíveis.

Essas reações fornecem evidências de que os hidrocarbonetos pesados podem existir nas camadas mais profundas da Terra, muito abaixo dos limites onde seria razoável supor a existência de matéria orgânica soterrada.

Reações reversíveis

Outro resultado importante da pesquisa é que a reversibilidade das reações implica que a síntese de hidrocarbonetos saturados é termodinamicamente controlada e não exige a presença de matéria orgânica.

"Nós ficamos intrigados por experiências anteriores e previsões teóricas," afirma Alexander Goncharov, um dos autores da pesquisa. "Experimentos feitos há alguns anos submeteram o metano a altas pressões e temperaturas, demonstrando que hidrocarbonetos mais pesados se formam a partir do metano sob condições de temperatura e pressão muito similares. Entretanto, as moléculas não puderam ser identificadas e era provável que houvesse uma distribuição."

"Nós superamos esse problema com nossa técnica aprimorada de aquecimento a laser, que nos permitiu aquecer um volume maior de maneira mais uniforme. Com isso, descobrimos que o metano pode ser produzido a partir do etano", declarou Goncharov.

Hidrocarbonetos gerados no interior da Terra

"A ideia de que os hidrocarbonetos gerados no manto migram para a crosta terrestre e contribuem para a formação dos reservatórios de óleo e gás foi levantada na Rússia e na Ucrânia muito anos atrás. A síntese e a estabilidade dos compostos estudados aqui, assim como a presença dos hidrocarbonetos pesados ao longo de todas as condições no interior do manto da Terra agora precisarão ser exploradas," explica outro autor da pesquisa, professor Anton Kolesnikov.

"Além disso, a extensão na qual esse carbono 'reduzido' sobrevive à migração até a crosta, sem se oxidar em CO2, precisa ser descoberta. Essas e outras questões relacionadas demonstram a necessidade de um programa de novos estudos teóricos e experimentais para estudar o destino do carbono nas profundezas da Terra," conclui o pesquisador.

Bibliografia:

Methane-derived hydrocarbons produced under upper-mantle conditions
Anton Kolesnikov, Vladimir G. Kutcherov, Alexander F. Goncharov
Nature Geoscience
26 July 2009
Vol.: Published online
DOI: 10.1038/ngeo591


quinta-feira, 31 de maio de 2018

Inclusão é a nossa diversa humanidade


Povos de matriz africana reivindicam políticas de proteção a terreiros

Publicado em 31/05/2018 - 08:30

Por Débora Brito – Repórter da Agência Brasil Brasília




Pelo direito à fé e à diversidade religiosa, representantes de povos de matriz africana reivindicam políticas de proteção e segurança dos terreiros e garantias de manutenção das práticas tradicionais.

Lideranças religiosas de vários estados participaram da 4ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Conapir) entoando cantos, relatando casos de violações de direitos e levantando propostas de combate ao preconceito e à intolerância.

“A gente está vendo terreiros e os símbolos do candomblé, das religiões de matriz africana, sendo destruídos por fundamentalistas das mais variadas tendências religiosas. E a gente precisa que esses fundamentalistas comecem a respeitar mais a fé alheia, porque você tem direito a sua fé, tem direito até de não professar nenhuma fé”, disse Erivaldo Oliveira, presidente da Fundação Cultural Palmares.

Segundo Oliveira, a fundação recebeu, desde 2015, cerca de 100 denúncias de violações contra terreiros em todo o país. O especialista em políticas públicas acredita que o número pode ser ainda maior.

“Isso tudo é fruto de um racismo, de um preconceito exacerbado no Brasil e também da falta de conhecimento, porque as pessoas do Brasil não se acostumaram com a cultura afro-brasileira e não entendem o que é um terreiro, a umbanda e o candomblé”, declarou.


Mãe Tuca participa da 4ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Conapir), no Centro Internacional de Convenções do Brasil. - Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Uma das propostas levantadas durante a conferência foi o fortalecimento da Lei 10.639, que obriga as escolas a incluírem no conteúdo programático o ensino da história da África e da cultura afro-brasileira.

“Quando você implementa a [Lei] 10.639, você está fazendo um trabalho com uma criança para que ela se torne um adulto que vai respeitar, ela não vai ser um adulto intolerante”, defendeu a mãe de santo Tuca D´Osoguiã, integrante do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR).

Mãe Tuca afirmou que uma das prioridades eleitas durante a conferência é lutar pelo arquivamento da ação que tramita no Supremo Tribunal Federal contra o sacrifício de animais para fins religiosos. Os praticantes da fé de matriz africana querem manter as práticas de abate de animais destinados à alimentação nos cultos dos terreiros. “Se esta ação passar no STF, pode virar uma jurisprudência e isso acaba com nossa cultura e com a segurança alimentar do nosso povo”, disse Mãe Tuca.

Transformação

Na madrugada do dia 27 de novembro de 2015, Adna Santos, conhecida como Mãe Baiana de Oyá, acordou com o terreiro em que morava em chamas. Em meio a uma onda de atentados que ocorreram contra terreiros de candomblé no entorno do Distrito Federal naquele ano, o espaço do terreiro Ylê Axé Oyá Bagan foi incendiado, deixando vários santos e instrumentos religiosos completamente destruídos.


Mãe Baiana teve o terreiro incendiado, mas transformou o episódio em oportunidade de lutar contra o racismo - Débora Brito/Repórter da Agência Brasil 

Ninguém que dormia na casa ficou ferido. O caso se tornou uma das histórias mais emblemáticas de intolerância religiosa do país e mobilizou a atenção de órgãos da Justiça e de defesa dos direitos humanos. Segundo a Polícia Civil do DF, o incêndio foi motivado por um curto circuito.

Três anos depois, o incidente é lembrado por Mãe Baiana em autobiografia lançada ontem (30) na 4ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Conapir). Ao narrar sua história de vida e como se tornou uma das principais referências na luta pela igualdade, Mãe Baiana quer mostrar que é possível transformar uma experiência dolorosa de preconceito em oportunidade de luta e superação.

“Espero que as pessoas, ao lerem esse livro, se sintam fortes, achem fortaleza nas palavras para que em momentos difíceis da vida saibam segurar, botar o pé firme no chão, olhar para cima e se reerguer”, declara.

No livro Chão e Paz, Mãe Baiana fala de resistência, fé e ancestralidade. Com o terreiro já restaurado, a ialorixá também faz um manifesto político-religioso para celebrar a paz entre os povos e exaltar o fim das discriminações.

“A vida é cheia de surpresas boas e ruins. Para mim, esse tempo atrás foi uma surpresa terrível, mas que no final eu fiz com que ela não causasse tanta dor como causou naquele momento. O terreiro nunca fechou. Mesmo nas cinzas a gente atendeu as pessoas que bateram a nossa porta com fome, com sede, doente, procurando um ombro, mesmo em cima das cinzas nós atendemos o nosso povo.”

Pontos de cultura e acolhimento

Os grupos de matriz africana e a Fundação Palmares defendem a elaboração de projetos públicos de saúde e cultura que possam ser desenvolvidos junto às comunidades próximas aos terreiros. A ideia é transformar os terreiros em pontos de cultura e locais de referência para acolhimento de pequenas demandas sociais.

“O terreiro abriga muita gente e sempre tem uma comunidade ao seu redor. [Com os projetos], essas pessoas vão começar a frequentar meu terreiro sem medo, sem preconceito. Não se combate racismo, preconceito e intolerância com desconhecimento. A gente tem que mostrar o que é uma religião de matriz africana para que as pessoas entendam de uma vez por toda que ali não tem demônios, ali tem elementos maravilhosos da natureza”, declarou Oliveira.

Mapeamento

A Fundação Cultural Palmares está elaborando um mapeamento nacional para levantar o número e a localidade dos terreiros de candomblé e outras manifestações da cultura afro-brasileira. A iniciativa já foi implantada no Distrito Federal, que registrou a presença de 330 terreiros. Segundo a fundação, este número pode ser maior. Cerca de 60 líderes de terreiros não aceitaram ser recenseados por medo de represálias.

Conapir

Negros, ciganos, indígenas, grupos de lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros e transexuais (LGBT's) e religiosos de matriz africana se reúnem na 4ª Conapir desde a última segunda-feira (28). Os diferentes grupos étnicos e de minorias discutem junto a especialistas, pesquisadores de várias áreas e gestores públicos estratégias de enfrentamento ao racismo e outras formas de discriminação racial e étnica.

O evento terminou ontem (30) com a divulgação de um documento com todas as propostas levantadas durante os debates. A Conapir teve como tema “O Brasil na Década Internacional do Afrodescendente”, com destaque para os temas de reconhecimento, justiça, desenvolvimento e igualdade de direitos. O evento foi organizado pelo Ministério dos Direitos Humanos, por meio da Secretaria Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) e do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR).



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Edição: Lílian Beraldo


sexta-feira, 18 de maio de 2018

Inflação?


Índice usado em contratos de aluguel acumula 4,08% em 12 meses
Publicado em 18/05/2018 - 08:53
Por Vitor Abdala – Repórter da Agência Brasil Rio de Janeiro





O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), usado no reajuste dos contratos de aluguel, registrou inflação de 1,2% na segunda prévia de maio. A taxa é superior à registrada na segunda prévia de abril, que havia sido de 0,4%. O indicador, divulgado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), acumula taxas de inflação de 3,28% no ano e de 4,08% em 12 meses.
 




 Imóvel para alugar (Tânia Rêgo/Arquivo Agência Brasil)

A alta entre as prévias de abril e maio foi influenciada principalmente pelos preços no atacado. O Índice de Preços ao Produtor Amplo, subíndice que analisa esse segmento, subiu de 0,46% em abril para 1,71% em maio.

O Índice Nacional da Construção Civil foi outro subíndice com alta na taxa, ao crescer de 0,37% para 0,44% no período.

Por outro lado, os preços no varejo, medidos pelo Índice de Preços ao Consumidor, registraram inflação de 0,2% em maio, abaixo do 0,27% de abril.
Edição: Graça Adjuto


sexta-feira, 30 de março de 2018

Muito próximos de Temer

Temer se reúne com ministros no Palácio da Alvorada
  • 30/03/2018 16h57
  • Brasília
Mariana Tokarnia - Repórter da Agência Brasil
Após reunir-se com o advogado Antônio Claudio Mariz de Oliveira, o presidente Michel Temer segue no Palácio da Alvorada reunido com ministros.

Mariz deixou o Palácio por volta das 15h30. Em seguida, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, Sergio Westphalen Etchegoyen, chegou ao local.

A assessoria confirmou ainda a presença do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco. O subchefe para Assuntos Jurídicos da Casa Civil e ministro dos Direitos Humanos, Gustavo do Vale Rocha, também segue no Palácio do Alvorada.

Da agenda não constam compromissos oficiais. Temer passaria o feriado em São Paulo, mas decidiu ficar em Brasília, aproveitando o feriado para tratar da reforma ministerial, que segundo o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, será anunciada na próxima semana, com a saída dos demais ministros que irão se candidatar nas próximas eleições.

Operação Skala
Ontem (29), a Polícia Federal prendeu, em caráter temporário, o advogado José Yunes, ex-assessor da Presidência da República.

As medidas foram determinadas pelo ministro Luís Roberto Barroso, relator do chamado Inquérito dos Portos, no Supremo Tribunal Federal (STF).

Além de Yunes, foram presos durante a Operação Skala, da Polícia Federal (PF), o ex-ministro da Agricultura e ex-presidente da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), Wagner Rossi, e o presidente do Grupo Rodrimar, Antônio Celso Grecco. Também foi preso, em São Paulo, o coronel aposentado João Batista Lima, amigo do presidente Temer

A empresária Celina Torrealba, uma das proprietárias do Grupo Libra, que também atua no ramo portuário, foi detida em seu apartamento, no Rio de Janeiro.

Ontem o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, disse que a prisão de pessoas ligadas ao presidente não enfraquecem o governo e que o presidente "não tem a ver com isso".

O inquérito apura o suposto favorecimento da empresa Rodrimar S/A por meio da edição do chamado Decreto dos Portos (Decreto 9.048/2017), assinado por Temer em maio do ano passado.

Edição: Maria Claudia



quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Lamentamos Rio



Cinco suspeitos morrem em ação do Bope em comunidade de Angra dos Reis
  • 31/01/2018 21h27
  • Rio de Janeiro




Douglas Corrêa - Repórter da Agência Brasil
Cinco suspeitos foram mortos durante uma ação do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), iniciada na noite de ontem (30) e que só terminou na madrugada de hoje (31) na comunidade Parque Belém, em Angra dos Reis, no sul fluminense. A operação foi deflagrada após enfrentamento entre as facções rivais Comando Vermelho e Terceiro Comando Puro, que tem causando pânico na região desde a última sexta-feira (26).

Saiba Mais
A troca de tiros entre os policiais e suspeitos ocorreu na Rodovia Rio-Santos. Durante o conflito, motoristas que passavam pela via tentaram voltar pela contramão e outros abandonaram seus carros com medo de serem atingidos.

De acordo com a Polícia Militar, após o intenso tiroteio, as equipes iniciaram vasculhamento na área e foram encontrados quatro suspeitos feridos. Foram apreendidos dois fuzis, duas pistolas, duas réplicas de pistola, 2.704 pinos de cocaína e 200 trouxinhas de maconha. Os quatro foram levados para o Hospital Geral de Japuíba, mas não resistiram aos ferimentos. Um outro suspeito foi encontrado ferido horas depois, mas também não resistiu ao ferimento.

Um policial do Bope foi ferido na mão por estilhaços de um projétil de arma de fogo, atendido no Hospital de Japuíba e liberado.
Edição: Luana Lourenço